Posted 2 months ago
Me achei aí, finalmente.

Me achei aí, finalmente.

Posted 1 year ago

Cronicas de um Megatron de Arroz turned 3 today!

(Source: assets)

Posted 2 years ago

Niki & The Dove. Outstanding!

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28. De Onde Vem a Paz

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      Lembro-me de secar meu olho direito antes de tocar a campainha. Meu peito estava doendo. Dona Clara me atendeu.

- Ah, você veio. – Disse-me com um sorriso torpe e os olhos úmidos. Abraçou-me rapidamente e acrescentou. – Vá, ele está lá em cima.

        Subi as escadas completamente atormentado pelo que estava por vir. Parei diante da porta de seu quarto e, antes de entrar, senti a atmosfera fúnebre me assombrar. Dentro daquele quarto estava um cadáver. Como seria isso, de estar diante de gente morta? Como é isso de que meu melhor amigo estar morto? Nunca havia sentido algo parecido. Eu estava completamente aterrorizado.

        Toquei a maçaneta e entrei. A casa era velha, a porta rangeu. Olharam para mim. Em seu leito, Seu Ruliver descansava sob lençóis brancos. Eu podia sentir a textura macia de seu pijama mesmo de longe. Ao lado, sentado em uma cadeira, estava o Dr. Verner. Cheguei no exato momento em que ele abaixava delicadamente as pálpebras de Seu Ruliver. Eu entendi. E ao entender, deixei vazar nossa amizade pelos meus olhos inconsoláveis.

        Eu era um menino de treze anos em pé sob o vão da porta. A posição mais vulnerável do mundo.

        Involuntariamente, dei um passo à frente. Notei a Dona Franscisca ao pé da cama, segurando fortemente a mão de Seu Ruliver. Em seu colo havia um livro vermelho. Cheguei ao lado do defunto e olhei bem para a pele de seu rosto. Nunca tinha o percebido dessa forma. Ele cheirava a flores.

        Dr. Verner se levantou e saiu. Ninguém disse nada. Olhei para Dona Franscisca novamente. Vi um olhar encharcado, mas que nunca esteve mais sereno. Ela entrelaçava os seus dedos ao do marido e os esfregava, por vezes olhando para a capa lisa do livro em seu colo.

- Cinqüenta e dois anos de casados. – suspirou.

        Pensei que ela iria desabar. Minha boca estava tampada pela minha mão trêmula. Mas ela logo tratou de se recompor.

- Hoje, logo quando acordou, me pediu para eu ler pra ele. Essas são as melhores histórias que ele já escreveu. Todas escritas na época em que nos conhecemos. – Sorriu dolorosamente. – Uma vez eu perguntei a ele por que em todas as suas histórias tinham sempre um jovem casal vivendo um romance. – Ela acariciava a capa. – Então, com olhos apertados, ele me respondeu que quando estamos apaixonados é que fazemos as coisas mais incríveis.

        Quando ela terminou, eu a ofereci um copo de água. Ela rejeitou apenas balançando a cabeça. Foi quando decidiu continuar.

- Ontem ele me disse que teve uma premonição.  Foi um sonho, na verdade. Disse que ele voltava da padaria com alguns pães, e, quando chegou, me viu na varanda, pegou minha mão e me trouxe até o quarto. Sentou bem aqui e, da sacola de pães, tirou um belo vestido e o estendeu pela cama. Olhou pra mim entusiasmado e disse “porque não veste esse? Você fica tão linda de azul…”. Eu o vesti diante dos seus olhos e então dançamos valsa sabre o carpete.

        Eu assistia àquilo preocupado, como quem vê alguém vagar à beira do abismo do delírio.

- Ele já estava mal, Dona Francisca? Esses devaneios…

- Mal? Eu não diria isso. Ontem ele nem tava sentindo dor!

- Então por que acha que ele te disse isso?

- Bom, depois disso ele ajeitou meu cabelo e me explicou que quando estamos apaixonados é que fazemos as coisas mais incríveis assim.

        Caiu-me outra lágrima impressionada. E caiu tão rápida que não tive tempo de contê-la. Eu percebi, completamente extasiado, o milagre pueril em que Dona Franscisca havia aceitado a paz mais bonita e sincera que Seu Ruliver havia construído para ela.

                                                                     Diego Neves Cotta – 09/06/2012.

Posted 2 years ago

27. Sobre Janelas e Joelhos


        Duas janelas me permitem assistir o mundo. Uma delas é a tela do computador, a tela do cinema, a tela do televisor, que me dá acesso à realização do fantástico e imaginável. A outra é a do ônibus. Mas esta, é a que me permite assistir o mundo como a fonte de toda inspiração, do inimaginável. É através deles que vejo negros dando esmola para brancos. Acho que eu estou tão presente no ônibus quanto eles em mim. É por isso que falo tanto deles.

        Surpreendo-me toda vez que vejo alguém dormir ao meu lado no ônibus - no sentido espantoso, que me parece incompreensível. Hoje mesmo me sentei ao lado de um garotinho que, completamente sozinho, escorava a cabeça no vidro enquanto escutava músicas em seu celular. Devia ter algo entre dez e doze anos, portava uma mochila e vestia uniforme. Eu, distraído, só notei que ele havia adormecido quando escorou seu joelho bambo no meu. Olhei para ele e o vi em sono profundo. Fingi que não.

        Meu primeiro pensamento rondava em como ele era capaz de dormir, em tom indignado. Afinal, uma vez inconsciente, existe o perigo do ônibus passar pelo seu ponto e te levar pro outro lado da cidade. De onde vem tanta tranqüilidade e confiança para se permitir apagar?

        Que tipo de música ele poderia estar escutando? Voltei a olhá-lo e já não sabia mais dizer se ele dormia por cansaço, ou por inocência.

        Afoguei-me em autocríticas. O garoto escorava em mim e, apesar da imigrante preocupação, não me sentia incomodado de forma alguma. Pelo contrário, ao ver que ao meu lado estava uma criança, minha tolerância logo tratou de comportá-lo. Mas se fosse ali um adulto qualquer, certamente estaríamos tratando de  um episódio inconveniente.

        Seria então a idade o que determina e nos autoriza a apoiarmos os joelhos?

        Preferi esquecer. Algo estava para acontecer e censurar-me seria um desrespeitoso desperdício, na proporção em que trazer a discussão para mim mesmo seria ignorá-lo ao meu lado.

        Seu joelho começou a se debater, como se sua consciência quisesse vir à superfície. O joelho se afastou, como quem não quer incomodar o vizinho, mas não demorou para que se esparramasse outra vez. Fiz-me de represa. Enquanto eu me munia de pensamentos, ele se deleitava em sonhos. E não pude saber de nenhum.

        Pensei que dos mais cruéis egoísmos, o maior está na frieza de quem sonha.

        Calmamente,  o garoto despertou sem nem olhar para a rua, guardou seu fone de ouvido e celular no bolso, levantou, deu sinal e desapareceu, como se o sono fosse todo planejado e o ônibus fosse seu santuário de viagens secretas.

        Sei que não é nada de extraordinário, mas empunho e revelo assim esses meus simples pensamentos na única intenção de oferecê-los em troca desses puros sonhos. É pela vontade que nunca me dorme de também abrir e ver o mundo por uma terceira janela.

 

                     Diego Neves Cotta – 29/05/12 – Baseado em acontecimentos reais.

Posted 2 years ago
"Alphonse! Algum dia eu voltarei e te levarei de volta! Espere por mim!" - Edward Elric. Fullmetal Alchemist, ep 26. Uma das melhores cenas do anime.

"Alphonse! Algum dia eu voltarei e te levarei de volta! Espere por mim!" - Edward Elric. Fullmetal Alchemist, ep 26. Uma das melhores cenas do anime.

Posted 2 years ago

Hugo (2011).
"Maybe that’s why a broken machine always makes me a little sad, because it isn’t able to do what it was meant to do… Maybe it’s the same with people. If you lose your purpose… it’s like you’re broken…"
"I’d imagine the whole world was one big machine. Machines never come with any extra parts, you know. They always come with the exact amount they need. So I figured, if the entire world was one big machine, I couldn’t be an extra part. I had to be here for some reason. And that means you have to be here for some reason, too."

Hugo (2011).

"Maybe that’s why a broken machine always makes me a little sad, because it isn’t able to do what it was meant to do… Maybe it’s the same with people. If you lose your purpose… it’s like you’re broken…"

"I’d imagine the whole world was one big machine. Machines never come with any extra parts, you know. They always come with the exact amount they need. So I figured, if the entire world was one big machine, I couldn’t be an extra part. I had to be here for some reason. And that means you have to be here for some reason, too."

Posted 2 years ago

26. Pandora


        Blackout.  

Sou noção.

Tudo é preto, mas sei que estou vivo. Sou quase surdo, mas recupero a audição aos poucos. Não sei se respiro.

Sou presença

Estou. Embora a ausência ainda seja a maior parte de mim. Não consigo saber se tem mais alguém aqui.

Sou pensamento.

Minha memória não funciona. O sono ofusca minha concentração. Eu tenho vontade. Sinto-me soterrado, profundo.

Sou intenção.

Estou desnorteado. Desejo alguém pra ajudar. Quero que alguém me diga onde estou. Não posso cair no sono novamente.

Sou angústia.

Por que tudo parece impossível? Até quando isso vai durar? Acho que não estou bem, eu preciso de um médico.

Sou percepção.

Entendo que estou deitado. Meu corpo é gélido, estagnado. Já consigo ouvir com mais precisão, mas tudo está em silêncio.

Sou agonia.

O sossego me abandonou.  Eu quero poder me mover! Sinto vontade de chorar, mas não sei consigo. Tento enrijecer meus músculos.

Sou arrependimento.

Não sei o que fiz para estar aqui. Quero voltar atrás, eu quero sair daqui! Eu faço qualquer coisa! Quero ter o controle de volta!

Sou intolerância.

Sinto-me sufocado. Cada segundo aqui me torna mais inalcançável. Não quero mais esperar! Sei agora que respiro, porque a ansiedade infla meu peito.

Sou esforço.

Acho que movi minha mão. Meus olhos se abriram, mas tudo permanece preto. Percebo que estou num lugar confortável, talvez seja uma cama.

Sou preocupação.

Devo estar em um hospital. Talvez por conta de um acidente. A enfermeira deve vir em algum momento.

Sou dor.

As luzes voltam subitamente direto em meus olhos. Eu os aperto o mais forte que consigo enquanto tento virar minha cabeça. Tudo está tão claro…

Sou curiosidade.

Com dificuldade abro uma pequena fresta em meus olhos e tudo está embaçado. Entendo que estou num quarto branco.

Sou instinto.

As paredes são feitas de vidro. Vejo estantes e móveis em geral, mas me falham os detalhes. Há soro ligado às minhas veias. Meu olfato se recupera. Sinto cheiro de álcool.

Sou dúvida.

Ouço passos. Consigo virar a cabeça. Vejo ao pé da maca uma mesa branca com uma pequena maleta e uma série de ferramentas. Ao lado há um computador.

Sou medo.

Alguém se aproxima descendo as escadas. Consigo levantar minhas mãos ao rosto e sinto minha face. Minha boca está seca. Tenho que sair daqui.

Sou engano.

As ferramentas não podem pertencer a um hospital. Acho que não estão aqui para me ajudar. Eu fui sedado, seqüestrado? Tenho que sair já!

Sou insegurança.

Não posso correr o risco. Não sei o que está acontecendo. Não consigo enxergar direito. E se ele descobrir que eu estou acordado?

Sou terror.

Os passos chegam à sala e se aproximam. Ouço a porta se trancar. Fecho meus olhos, fico imóvel. Minha respiração irá me revelar, não consigo controlar. Engulo a seco.

Sou vulnerabilidade.

Ele está de pé ao meu lado e sei que me olha agora. Estou diante da morte? Não sei se tenho força para detê-lo. Ele aproxima o seu rosto do meu. O que ele quer fazer?

Sou ímpeto.

Surpreende -me a força com que meus braços se levantam à sua garganta. Meus olhos se abrem em direção aos dele, arregalados. Ele resiste, mas invisto tudo que tenho.

Sou impiedade.

Suas veias incham e se tornam visíveis até aos meus olhos. Sua pele é quente. Sua língua treme. Ele se lança para trás e caio da cama junto a ele. Derrubamos uma estante. Seu pescoço me escapa e sua cabeça está vermelha.

Sou determinação.

Puxo a gola de sua camisa e ele parece não ter forças para reagir. Pressiono a ponta dos meus polegares em seus olhos. Ouço um grito que meus recém ouvidos não dão importância.

Sou ira.

Suas mãos repulsam as minhas pelos meus pulsos. Eu ganho. A minha visão vai ganhando uma borda vermelha que escorre pelo branco do chão. Ele se debate, eu o solto.

Sou fraqueza.

Ele agarra um objeto que não identifico, mas que atinge a minha cabeça. O jorrar do sangue alcança o teto. Eu me viro, ele se arrasta.

Sou revolta.

No chão, ao meu lado, vejo uma seringa entre meus dedos. Meus olhos são incapazes de me dizer se há agulha. Aliso e há.

Sou outro.

Ele tenta escapar. Eu rastejo, eu o alcanço. Cravo a agulha em sua coxa. Nossas roupas estão ensangüentadas. Retiro a agulha. Seguro seu cabelo com força e perfuro sua nuca. Eu, por definitivo, ganho.

Sou cansaço.

Deito-me ao seu lado, ofegante. Minha visão se torna melhor. Olho ao redor. Estou num laboratório. Ouço o estalar das chamas que se formaram quando derrubamos algo durante a luta.

Sou indecisão.

O cheiro se alastra, assim como o próprio fogo. Preciso fugir. Tento me erguer. Percebo que não tenho pernas. Não tenho pernas.

Sou desespero.

Descubro que consigo chorar e gritar. O chão parece ter mais sangue agora. A fumaça me obriga a me arrastar para o outro lado do quarto. Dou de frente para o vidro reforçado. Do outro lado, apenas a mata. A sala está lacrada.

Sou propósito.

Vejo a inscrição “Projeto Pandora”. Vou até a escrivaninha e derrubo as gavetas que transbordam papéis. Com esforço, consigo ler uma folha. É uma espécie de diário de bordo.

Sou horror.

Leio e entendo que o objetivo inicial do projeto era criar um clone de si próprio e o sucesso foi obtido. Após um acesso de fúria do clone ao despertar, a necessidade agora era trazer o original de volta à vida. O acidente se repete pelas próximas trinta páginas, alternando os agentes. Sou parte de um fúnebre ciclo vicioso. Arrasto-me de volta para o cadáver e percebo como somos idênticos.

Sou culpa.

No reflexo do vidro, vejo como nossas cicatrizes nos tornam diferentes um do outro. Eu lamento. Minha imagem espelhada está em uma moldura em chamas. Luto contra o fogo para permanecer vivo. Minha expectativa é de que não seja eu o clone.

Sou esperança.


 

         Diego Neves Cotta – 01/04/12 - Inspirado na música “I Need a Doctor” e no mito da Caixa de Pandora.

Posted 2 years ago
Metropolis (1927).

Metropolis (1927).

Posted 2 years ago
diegooooooooooooooooo oi =) eh brunno
julgodacarne-deactivated2012110 asked

NÓÓÓÓÓ, você existe na internet!!!!